Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Quando Flamengo e Olimpia se enfrentam na Libertadores, um deles termina campeão

* Por Daniel Soares


Flamengo e Olímpia dividem o mesmo grupo na Copa Libertadores pela terceira vez. Nas duas vezes anteriores que isso aconteceu, um deles terminou campeão. Mas ao contrário do que o título sugere, nunca vencemos a equipe de Assunção pela competição. Em 1981, o Flamengo disputava sua primeira Libertadores. O Olimpia vinha de um título recente, em 1979. Após um empate em com o Atlético Mineiro em Belo Horizonte e uma goleada sobre o Cerro Porteño no Rio de Janeiro, o Flamengo empatou em 1x1 com o Olímpia, no Maracanã, no dia 24 de julho. No returno da fase de grupos, o Flamengo repetiu a campanha do turno. Empatou com o Atlético em casa, venceu o Cerro no Paraguai e, no dia 14 de agosto, empatou em 0x0 com o já eliminado Olimpia em Assunção.  A vitória teria classificado o Flamengo para a fase semifinal. Com o empate, teve de disputar uma partida extra contra o Atlético Mineiro, em campo neutro, pois ambos terminaram empatados na liderança do grupo com oito pontos.

O Flamengo passou pelo Atlético na polêmica partida disputada em Goiânia, após os mineiros terem cinco jogadores expulsos. Depois disso, passamos pela fase semifinal com 100% de aproveitamento contra Deportivo Cáli e Jorge Wilstermann e seguimos para as inesquecíveis finais contra o Cobreloa.

21 anos mais tarde, novamente Flamengo e Olimpia foram sorteados no mesmo grupo. O Flamengo voltava à competição após nove anos. E o Olímpia, apesar de ter conquistado um segundo título em 1990 e de ter sido vice-campeão na edição seguinte, há tempos estava afastado das primeiras posições. As equipes se encontraram no dia 6 de março, no Maracanã, em momentos distintos. O Flamengo já havia feito três partidas: perdido de 1x0 para o Once Caldas fora de casa, perdido para a Universidad Catolica por 3x1 em casa e vencido o Once Caldas em casa por 4x1. O Olimpia vinha de duas vitórias, contra essas mesmas equipes. Se em 1981 eu era um bebê, em 2002 eu estava no estádio. E testemunhei um uma péssima partida, que terminou em 0x0. Na sequência, o Flamengo foi derrotado pela Católica, no Chile e, já eliminado, viajou para Assunção onde foi derrotado pelo Olímpia por 2x0, no dia 10 de abril. O Flamengo encerrou naquela partida sua pior campanha em Libertadores, em último lugar no grupo, com apenas 4 pontos. O Olímpia saiu em primeiro para as oitavas-de-final, e depois de eliminar Cobreloa, Boca Juniors e Grêmio, chegou à final contra o São Caetano, vencendo nos pênaltis e conquistando a Libertadores pela terceira vez.

Se nunca vencemos os paraguaios pela Libertadores, temos mais história em outras competições oficiais. Na Supercopa de 1993, o Flamengo eliminou o Olimpia nas oitavas-de-final, perdendo por 1x0 em Assunção e vencendo por 3x1 no Maracanã. Terminamos vice-campeões, perdendo a final para o São Paulo, nos pênaltis. A última edição da Supercopa, em 1997, teve fase de grupos. Nesta fase, o Flamengo venceu o Olimpia no Paraguai por 1x0 e empatou em 3x3 na volta, em partida que mandou em Manaus. Ambas as equipes foram eliminadas.

Em 1999, os dois caíram novamente no mesmo grupo, agora na Copa Mercosul. No Maracanã, o Fla venceu por 2x1. Em Assunção, vitória paraguaia por 3x1. As duas equipes se classificaram para as quartas-de-final. O Olímpia foi eliminado pelo Peñarol e o Flamengo superou o Independiente. Depois de eliminar o Peñarol nas semifinais, o Flamengo foi à final contra o Palmeiras e acabou campeão.

Isso aconteceu na Copa Mercosul mais uma vez em 2001. No Rio, o Flamengo venceu por W.O. No Paraguai, vitória por 2x0. O Olimpia foi o último do grupo, o Flamengo seguiu para eliminar o Independiente nas quartas-de-final, o Grêmio na semifinal e ser vice-campeão, perdendo a final nos pênaltis para o San Lorenzo.

* Daniel Soares é economista de formação, trabalha na FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Colabora ainda no Blog De Primeira. 

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Flamengo nas alturas


Está chegando o dia. Como muitos já sabem, tem início na noite desta quarta (25/01) na Bolívia, diante do Real Potosí, a caminhada do Flamengo na Libertadores.

É o mesmo rival da primeira fase da competição em 2007, quando rubro-negros como Renato Augusto, por exemplo, sofreram muito com a altitude de Potosí, situada a mais de 4.000 metros.

Mas, fora o 12º jogador, o mal de alturas, o que sabemos sobre o nosso adversário?

Em colaboração para o Polaroids Rubro-Negros, Herman Pinel fez uma pesquisa sobre a equipe boliviana.

Segue o relato:

Foto da equipe em amistoso recente.
Para essa temporada, o Real Potosí contratou o zagueiro Alberto Ricardo Alarcon, o meia José Antônio Michelena e o atacante Edgar Brittes, todos argentinos.

Alarcon tem 26 anos, é destro, atua de beque-central, tem 1,85m. Defendeu na última temporada o Club Atletico Tigre, da Argentina. O canhoto Michelena, 21 anos, 1,71m, é um meia rápido que joga pela esquerda e chega ao ataque. Já Brittes, atacante, tem 29 anos e 1,80m, veio do Liberdade de Sunchales.


Com essas três contratações, o Real supre os espaços deixados por Diego Salvatierra (defesa), Sebastian Carrizo (meia) e Nelson Sossa (atacante).


Durante a pré-temporada, os Lilás (como são conhecidos) trabalharam em dois turnos: na parte da manhã, trabalho tático em campo pequeno para melhorar o toque de bola e a marcação dos jogadores, enquanto o trabalho da tarde concentrou-se na academia, trabalhando a resistência e força dos jogadores, para ganhar massa muscular.


No dia 15 de janeiro, o Real fez um amistoso contra o Nacional Potosí. A equipe do Real ganhou por 2 a 0, gols de Mark Pol e Victor Angola. Os contratados Brittes e Michelena foram substituídos no segundo tempo e saíram aplaudidos. A equipe entrou em campo com Yadin Salazar; Rony Jiménez, Claudio Centurión, Alberto Alarcón (Luís Torrico) e Rosauro Rivero; Eduardo Ortiz, Mario Ovando (Roly Sejas), José Michelena (Nicolás Tudor) e Gerardo Yecerotte (Ariel Juárez); Mark Pol e Edgardo Brittes (Víctor Angola), comandado pelo técnico Víctor Zwenger, que monta sua equipe na formação 4-4-2.


Vale destacar que Gerardo Yecerotte, principal jogador do Real, não vai enfrentar o Flamengo nesta quarta - ele cumpre suspensão pelo cartão vermelho recebido na Libertadores de 2010, contra o Cruzeiro. Victor Hugo Angola é um dos possíveis substitutos.


Em resumo: o Flamengo enfrenta um adversário fraco, desconhecido e sem expressão continental, mas que nada tem nada a perder enquanto uma eventual desclassificação custaria um semestre praticamente parado, disputando somente o Carioca.

Ficamos na torcida, portanto, que os jogadores encarem esses dois jogos como os mais importantes do ano, com humildade, seriedade e, acima de tudo, raça.

Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

Livro indispensável: '1981, o primeiro ano do resto das nossas vidas'

O Flamengo comemora nesta terça, 15 de novembro, seus 116 anos de fundação. E a data simbolica foi a escolhida por Mauricio Neves para lançar "1981, o primeiro ano do resto das nossas vidas", livro que escreveu com o apoio dos amigos Arthur Muhlenberg e Lucas Dantas.

Em mensagem para o FlamengoNET, atestei que o lançamento é um privilégio para a Nação Rubro-Negraa. Existem poucas pessoas como o Mauricio no mundo. Ele é um cara dedicado, criterioso e de uma inegável competência na tarefa - ou seria um dom? - de registrar as coisas do futebol rubro-negro. Tem o indispensável rigor histórico, a paixão do torcedor e uma técnica precisa para escrever os fatos históricos, juntando a um só tempo capacidade narrativa e emoção.

Por isso, não só pela amizade, muito menos por participar da obra com uma pequena colaboração, mas sobretudo porque o livro é ferramenta obrigatória de rubro-negrismo, recomendo fortemente a aquisição.

Para os interessados, seguem release e ficha do livro.

Museu do Flamengo lança livro em forma de diário sobre 1981 – o ano mágico do Flamengo
Na próxima terça-feira, dia 15 de novembro, a partir das 16 horas, na Fla-Concept (loja oficial do Flamengo, na Gávea), como parte das comemorações dos 106 anos de história do Clube de Regatas do Flamengo, a editora LivrosdeFutebol.Com lança 1981: O PRIMEIRO ANO DO RESTO DE NOSSAS VIDAS, de Mauricio Neves de Jesus – com Arthur Muhlenberg e Lucas Dantas.

O livro foi escrito sob a forma de diário, com um texto para cada dia daquele que foi o ano mais vitorioso da história do “Mais Querido” e é o primeiro produto da parceria do Museu do Flamengo com a editora.
O Flamengo de 1981 foi o único time do País que ganhou três títulos importantes num perí-odo de apenas 21 dias: a Libertadores (em 23 de novembro), o Estadual e o Mundial, respectivamente em 6 e 12 de dezembro.

“Nem o Santos de Pelé, o maior de todos os tempos, alcançou tal marca” – ga-rante o jornalista e maior historiador do Flamengo, Roberto Assaf. E explica: “o Flamengo de Zico – e de Leandro, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio e Tita, entre outros – era sobretudo um espetáculo capaz de atrair não só rubro-negros, mas torcedores confessos dos demais clubes, incluindo os cariocas”.

O Autor apresenta fichas dos jogos mais importantes, bem como transcrições de gols históricos, com narrações de José Carlos Araújo, Jorge Curi, Waldyr Ama-ral, Doalcey Camargo, Edson Mauro, Cezar Rizzo e Luiz Penido.

Especialmente convidados pelo Autor, jornalistas esportivos, alguns flamenguis-tas apaixonados, escreveram sobre o time campeão: Alexandre Lalas, Alexandre Souteiro, Aydano André Motta, Carlos Eduardo Mansur, Hilton Mattos, Juan Saavedra, Leonardo André, Marceu Vieira, Martha Esteves, Moraes, Pablo Duarte Cardoso, Paulo Cesar Vasconcellos, Péris Ribeiro, Plínio Fraga e Renato Ramos. O prefácio é de Roberto Assaf. A orelha, do craque Júnior.

O livro está documentado com mais de 50 fotos selecionadas para mostrar não apenas lances fundamentais de jogos decisivos, mas imagens inéditas dos basti-dores da conquista, em vestiários, aeroportos, aviões e estádios.

Sobre o Autor

Rubro-negro desde o berço, Mauricio Neves de Jesus herdou do pai a paixão pelo Flamengo. Sua infância foi marcada pela afirmação da geração de Zico e Júnior no time que chegaria ao seu auge em 1981.

Quando o Flamengo foi campeão mundial em Tó-quio, Mauricio tinha oito anos. Três décadas depois, ainda considera aquele time do Flamengo o que mais se aproximou da perfeição.

Advogado e professor universitário, Mauricio mora em Lages, na Serra Catarinense, e mesmo longe, mantém o amor e a intimidade com o Mais Querido: é sócio proprietário e membro do Conselho Consultivo do Museu do Flamengo.

O autor tem textos publicados na coletânea “Ser Flamengo” (Folha Seca, 2006) e é um dos idealizadores do site "Fla Manto Sagrado", além de ser colecionador de camisas de futebol. Os itens preferidos da coleção são camisas usadas pelo Flamengo no ano mais glorioso da história do clube.

O único defeito do Flamengo de 1981 – lamenta ele – foi não ter durado para sempre.

Serviço
1981: O PRIMEIRO ANO DO RESTO DE NOSSAS VIDAS
De Mauricio Neves de Jesus (com Arthur Muhlenberg e Lucas Dantas)
Prefácio de Roberto Assaf – Orelha do craque Júnior
Formato: 13,5 x 21,5 cm
Páginas: 276 páginas
Peso: 490g (aprox.)
ISBN 978-85-65193-00-9
Preço: R$35,00

Quinta-feira, 10 de Novembro de 2011

A melhor campanha fora na história dos pontos corridos

Nunca na história desse país, desde a implementação do sistema por pontos corridos, o Flamengo foi tão bem quando jogou como visitante. A campanha de 2011 indica um bom aproveitamento, de exatos 50%, nas 14 partidas em que a equipe de Luxemburgo disputou visitando equipes de outros estados. Tal índice não foi alcançado nem mesmo em 2009, ano do hexa - naquela ocasião, o aproveitamento foi de 43,13%.

É mera estatística, mas não deixa de ser um número reconfortante para quem vai torcer pela quebra do tabu de oito derrotas seguidas no Couto Pereira, sete delas para o adversário deste domingo, o Coritiba.

Nas minhas contas, cabe ressalvar, desconsiderei os confrontos contra Vasco, Botafogo e Fluminense, embora em alguns casos o mando tenha sido exercido de fato (Vasco, em 2005, em São Januário; e Botafogo, em 2009, no Engenhão), bem como os jogos fora do Rio, em que o Fla tenha exercido o mando (seja em Volta Redonda, Macaé ou em partidas no estado de Minas Gerais).

Méritos do esquema cauteloso de Luxemburgo, aquele que, como bem observa André Monnerat, abre mão de atacar por pelo menos 45 minutos? Na minha opinião, o aproveitamento poderia ser até melhor, se o treinador fosse mais ousado.

Certo é que o aproveitamento fora nesta temporada reforça a noção de que o Fla ficou devendo mesmo em casa. E como faz falta o Maracanã...

Veja os números:

2011
50%  (21 em 42 possíveis)

2010
29,16% (14 em 48 possíveis)

2009

43,13% - 22 em 51 possíveis)

2008
37,5% (18 em 48 possíveis)

2007
29,16% (14 em 48 possíveis)

2006
29,16% (14 em 48 possíveis)

2005
39,58%  (19 em 48 possíveis)

2004

31,57% (18 em 19 possíveis)

2003
25% 15 em 20 possíveis)

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Couto Pereira: mais um tabu a ser quebrado


Há alguns anos, um amigo pontificou que no ano em que o Flamengo vencesse na Vila Belmiro, o Flamengo seria hexacampeão. Parecia uma profecia. A vitória por 2 a 1, na estreia de Andrade, acabou marcando o início da caminhada para o primeiro Campeonato Brasileiro em 17 anos.

Se pretende ser hepta, o Flamengo precisará quebrar outro tabu - não tão longo quanto a maldição na casa do Santos, onde ficou sem vencer por mais de 30 anos. É superar os mais de 10 anos de fracassos no Couto Pereira, casa do Coritiba, adversário desta 34ª rodada.

Na última vez que o Flamengo ganhou no Couto Pereira, Fernando Vanucci ainda apresentava o Globo Esporte e Romário vestia a 11. Era 1998.

Quando morei em Curitiba, alguém me perguntara o que tinha de diferente no ar de Curitiba, onde o Flamengo colecionava péssimos resultados, especialmente na primeira metade da década passada. O jogo começou a inverter em 2005, quando, com um gol de Obina no finalzinho, o Fla venceu no Pinheirão seu principal algoz, o Paraná Clube. Depois vieram outras vitórias sobre o tricolor no Durival de Brito, em 2006, 2007 e 2008, inclusive pela Libertadores, com gol de Renato Saci. Este ano, outro tabu foi quebrado, o de nunca ter vencido na Arena da Baixada. O Flamengo eliminou o Atlético-PR pela Sul-Americana, com gol de Ronaldinho.

Só falta mesmo quebrar o encanto do estádio do Alto da Glória, onde o Fla vem de sete derrotas seguidas, com 20 gols contra e cinco a favor. De 1998 para cá, o Flamengo acumula ainda outro revés naquele estádio, no ano de 2002, quando foi derrotado por 3 a 0 pelo Paraná.

Você acredita?

1998 - Flamengo 3 x 1 Coritiba (Campeonato Brasileiro)
1999 - não houve jogo no Couto Pereira
2000 - não houve jogo no Couto Pereira
2001 - Flamengo 2 x 3 Coritiba (Copa do Brasil)
2002 - Flamengo 1 x 2 Coritiba (Campeonato Brasileiro)
2003 - Flamengo 0x5 Coritiba (Campeonato Brasileiro)
2004 - Flamengo 0x1 Coritiba (Campeonato Brasileiro)
2005 - Flamengo 2x3 Coritiba (Campeonato Brasileiro)
2006 - não houve jogo - Coritiba jogou Série B
2007 - não houve jogo - Coritiba jogou Série B
2008 - Flamengo 0x1 Coritiba (Campeonato Brasileiro)
2009 - Flamengo 0x5 Coritiba (Campeonato Brasileiro)
2010 - não houve jogo - Coritiba jogou Série B


Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Lutando em duas frentes




* Por Daniel Soares

Um ano e meio depois da eliminação nas quartas-de-final da Copa Libertadores de 2010, o Flamengo se vê frente a frente novamente com a equipe da Universidad de Chile. O histórico de confrontos com La U, favorável ao Mengão até o ano passado, se equilibrou com as duas vitórias chilenas na última competição. Das onze partidas disputadas entre as duas equipes até hoje, quatro foram no passado. Na primeira fase, vitória chilena por 2x1 em Santiago, e empate em 2x2 no Rio de Janeiro (o Flamengo vencia até os minutos finais). Nas quartas-de-final, vitórias fora de casa: La U venceu por 3x2 no Maracanã (vencia por 3x1 até o último minuto) e o Flamengo lutou até o fim em Santiago, vencendo por 2x1 e sendo eliminado no critério dos gols fora de casa. O gol dos chilenos marcado pelo argentino Montillo, fora da área, de cobertura.

Antes disso, o histórico do confronto era marcado por duas goleadas rubro-negras, ambas pela extinta Copa Mercosul. Pela primeira fase da edição de 1999 (na qual acabou campeão), o Flamengo fez 7x0 no Maracanã, com Romário deitando e rolando: quatro gols. No ano seguinte, também pela primeira fase, o Flamengo fez 4x0 em Santiago. Até Denílson, de breve e esquecível passagem pela Gávea, marcou.

Na Libertadores de 2010, ambas as equipes chegaram à competição como campeões nacionais. A Universidad de Chile como campeã do Apertura 2009 (como a maioria dos países sulamericanos, o Chile possui dois campeonatos nacionais por ano: o Torneo Apertura e o Clausura) e o Flamengo campeão brasileiro de 2009.

Para a Copa Sulamericana, se o Brasil classifica as oito equipes melhores colocadas na temporada anterior excetuando os classificados para a Libertadores, o Chile classifica apenas três equipes: o campeão da Copa Chile (competição similar à FA Cup, que permite a entrada até de equipes amadoras nas primeiras fases), a equipe de melhor pontuação na primeira fase do Apertura e o vencedor de jogos eliminatórios entre o campeão do Apertura e o vice-campeão da Copa Chile. E foi nesta última vaga que a Universidad garantiu sua participação. Campeã do Apertura de 2011 (seu 14º título nacional), venceu a disputa contra o Deportes Concepción, vice-campeão da Copa.

Para chegar até estas oitavas-de-final da Copa Sulamericana, a Universidad de Chile eliminou o Fênix, do Uruguai, vencendo por 1x0 em casa e empatando em 0x0 em Montevidéu. Na segunda fase, eliminou outro uruguaio: o Nacional. Venceu as duas partidas, 1x0 em Santiago e 2x0 em Montevidéu.

O Flamengo, como sabemos, se classificou na última vaga disponível: 14º colocado do Brasileiro de 2010, beneficiando-se do Internacional ter sido campeão da Libertadores, abrindo mais uma vaga para a outra competição continental. Como todos os brasileiros já entram na segunda fase da Sulamericana, o Flamengo eliminou um único adversário até aqui, o Atlético Paranaense, após duas vitórias por 1x0, uma no Rio de Janeiro e outra em Curitiba. Esta última, a primeira vitória da história do Flamengo na Arena da Baixada.

Eliminar a Universidad de Chile e avançar na Sulamericana permite ao Flamengo continuar a lutar em duas frentes rumo à Libertadores 2012. E uma boa vitória amanhã no Engenhão é fundamental para que a equipe possa poupar jogadores do desgaste da viagem a Santiago para a partida de volta. O risco da luta em duas frentes é exatamente o de se exaurir demais e acabar perdendo nas duas.

* Daniel Soares é economista de formação, trabalha na FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Colabora ainda no Blog De Primeira. 

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

Ouvidoria no Flamengo: acerto e melhorias


Uma das recentes ações elogiáveis da diretoria do Flamengo é a criação de uma Ouvidoria. A iniciativa, anunciada no final de setembro e agora em destaque no menu do site oficial, simboliza um largo passo institucional para diminuir o passivo do clube no atendimento a alguns de seus principais 'públicos de interesse':  associados e torcedores - todos 'consumidores'.

"Muitas vezes o sócio não sabe onde e como fazer um questionamento e, agora, com a criação deste canal, saberá onde levar sua dúvida, sua solicitação ou sugestão. Tudo chegará ao lugar certo. Nós, do Conselho Diretor, também poderemos acompanhar mais de perto todo esse processo", afirma a presidente do clube, Patricia Amorim, na reportagem do site oficial.

Nos 12 meses em que trabalhei na Gávea, entre fevereiro de 2009 e fevereiro de 2010, no Departamento de Marketing, tive repetidos exemplos de como o clube falhava - se é que ainda não falha - na resolução de dúvidas, na solução de mal entendidos, no encaminhamento das pessoas para os devidos departamentos responsáveis. Muitos torcedores e sócios se irritavam por serem encaminhados, via telefone, para canais que não tinham a competência para atendê-los. Apenas como um exemplo: sempre que algum estrangeiro ligava para o clube, a recepção encaminhava para o Departamento de Marketing porque ali havia pessoas que dominavam idiomas - seja a língua inglesa ou o espanhol. Mesmo que a questão fosse relacionada ao Departamento de Futebol. Não havia processo e, em muitos casos, pessoas sem treinamento ou qualificação.

Um dos nossos desafios ao lançar um novo site - o que aconteceu em outubro de 2009, recebendo já desta diretoria uma nova versão pouco mais de um ano depois, era fortalecer esse canal como um meio que, de antemão, filtrasse grande parte do rol de dúvidas, críticas, elogios e demandas dos torcedores. E podem ter certeza que elas são muitas. Só de pedido de camisas autografadas, o número era imenso. Mas por falta de uma ação organizada, não tínhamos como responder a essas questões. Era muito difícil, para nós mesmos, dentro do clube, ter acesso a informações básicas.

À distância, tenho percebido avanços ao mesmo tempo que vejo persistirem e surgirem novas lacunas. O próprio site oficial, que teve sensíveis progressos, principamente no uso de material multimídia, reflete essas lacunas. Tente achar, por exemplo, no menu do site, a demonstração dos resultados financeiros? Esse item não foi incluído na nova versão do site. Para achar, é preciso usar o sistema de busca. O mesmo para a composição da Diretoria e Conselhos do clube. A nova versão do site não traz uma informação das mais básicas de qualquer site institucional.

O entendimento convencional que se tem sobre o papel de uma ouvidoria é de que ele atue num segundo amomento, quando o canal de atendimento (SAC, por exemplo) não funciona. Vide definição extraída de um site de referência. o Guia das Ouvidorias: "As ouvidorias são criadas para receber, tratar as manifestações de colaboradores, fornecedores, clientes e usuários em geral que não foram devidamente solucionadas pelo atendimento habitual realizado pelos serviços de atendimento, sejam por meio eletrônico, telefônico, carta ou presencial, mantidos pelas organizações. As ouvidorias não substituem os canais convencionais de atendimento".

Bom, não está claro - principalmente para o torcedor - quais são os canais de atendimento convencionais. O associado até sabe que, se não resolver alguma questão referente à mensalidade na Secretaria, talvez deva acionar a Ouvidoria. Mas e o torcedor? Como obter resposta para dúvidas sobre temas relacionados a ingressos?


Acredito, até por trabalhar nesse segmento, que as mídias digitais poderiam contribuir para filtrar o volume de acessos à Ouvidoria do Flamengo. Um exemplo é o Formspring. A rede social de perguntas e repostas poderia ser um caminho para o clube criar, com o tempo, um imenso FAQ público, respondendo a perguntas de um usuário que certamente são a dúvida de dezenas, às vezes centenas e milhares de torcedores. Instituições governamentais como a Previdência Social  e corporativas como o Banco Santender têm feito uso da ferramenta, e com resultados interessantes. É um passo bem consistente para uma relação mais transparente entre instituições e públicos.

O uso de outros canais como Facebook e Twitter também é outro caminho, embora tudo no Flamengo tenha que ser pensado com bastante cuidado, uma vez  que a demanda é imensa e praticamente ininterrupta.

Seria muito interessante, mas ainda improvável, que o Ouvidoria do Flamengo, dentro do princípio de autonomia e imparcialidade, tivesse algum nível de interação com os torcedores - assim como a Folha faz com seu Ombudsman, profissional que faz uma crítica semanal na edição de domingo, mostrando onde o jornal acertou ou falhou nas suas coberturas.

Mas tudo ainda é muito recente.

Precisamos aguardar mais alguns meses, talvez um ano, para analisar a atuação da Ouvidoria. Dentro do objetivo de transparência, espera-se que do seu trabalho saia alguma estatística pública (resguardando o anonimato, claro) que permita a todos - sócios e torcedores - avaliar o perfil dos elogios, críticas e sugestões endereçadas. E como o Flamengo é uma casa política, é importante que a Comissão Eleitoral oriente a atuação da Ouvidoria, para impedir indevido uso das informações por qualquer candidatura.